sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Amar e libertar

É tão impossível amar sem libertar quanto seria impossível andar sem se levantar.
Libertar é permitir que flua, amar é fluir a si mesmo através da vida.
Quem ama deixa seguir, pode até orientar, mas deixa que vá, volte, siga, pare ou retorne.
Quem ama estimula, levanta o ânimo, mas também sabe deixar cair e conhecer as consequências do desânimo.
Libertar é condição para amar, porque, preso ou tolhido, o ser humano nem cresce nem aprende nem é feliz.
Amar é doar-se tanto a ponto de permitir acertos e erros, é torcer sem tolher.
Libertar é uma ciência, amar, uma arte.
Quem ama já libertou, mas quem libertou ainda está apenas apto para amar, pode vir a amar.
Muito do que as pessoas chamam de amor não passa, algumas vezes, de egoísmo e frequentemente os maiores desenganos em matéria de amor se fundamentaram em pura vaidade travestida de zelo.
Em todo caso, a humanidade nunca conheceu um modelo maior de amor que o Cristo, ele nos ama tanto que permite ao ser humano, religioso ou não, cometer os maiores desatinos em seu nome, pelo simples prazer de nos amar, permitindo-nos fluir, seguir, aprender, viver.

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