Aprendi muitas teorias e práticas para a prática da clínica em consultório (ou fora dele) em psicologia. Mas dificilmente se encontra remédio mais especial para a alma que o perdão que dirigimos ao outro e a nós mesmos nos embates da vida.
Ele é remédio amargo que entala na garganta, mas, no caminho para o estômago, influencia o coração e o liberta de sofrimentos antigos, sem falar que purifica nossos pulmões e os enche de ares novos e puros.
O perdão liberta o outro, mas liberta nós mesmos com uma força tão restauradora que revela o mundo como se fosse outro, jamais visto antes.
É verdade que a maioria de nós não consegue tomar deste remédio senão de forma "homeopática", mas as gotículas que tomamos dele fazem milagres, tanto para a saúde mental, quanto emocional e física, pude mesmo presenciar a evolução de pessoas que se libertaram de complicações psicossomáticas terríveis devidas a mágoas, ódios e coisas assim.
Não me atreveria a dizer que toda doença tem raízes psicológicas de forma principal, mas a prática de anos no trato com todo tipo de sofrimentos e complicações de saúde integral me mostrou que o poder da mágoa e do ódio é indiscutível, agindo numa via de mão-dupla: por um lado, nos torna cada dia mais dependentes destes sentimentos negativos (como uma droga das piores que existem) e, por outro lado, vão minando nossas resistências físicas e não-físicas até ao ponto que não conseguimos mais conceber a vida além desta prisão destrutiva.
Qual seria, contudo, o remédio eficaz para combater tão agressiva "doença"?
Apiedar-se do próximo e de nós mesmos, ligarmo-nos de novo à Fonte das fontes, sorver da vida o que ela tem de mais curativo para nos dar: o perdão, como um remédio que se toma aos poucos, mas se toma todo dia um pouquinho, sem falha, religiosamente.