quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cultivar e aguardar

Ninguém planta uma árvore e espera colher frutos no dia seguinte, e ninguém espera colher uma rosa já de manhã de um talo que enterrou na noite anterior.
Toda colheita exige que se plante ou semeie, regue, adube, cuide e aguarde.
Aguardar agindo: eis a fonte do sucesso.
Mas a dúvida surge justamente em sabermos até onde agir, até onde intervir, principalmente quando está em jogo também o livre arbítrio alheio. Porque, por mais que nos atinjam com suas decisões ou indecisões, com suas palavras e atos, os outros agem dentro de seu livre arbítrio e, em se tratando de livre arbítrio, cada um o exerce (quase sempre) muito mais no interesse pessoal do que observando os interesses dos outros.
De todo modo, nunca nos cabe interferir no livre-arbítrio alheio, sob pena de invadirmos o campo de suas próprias escolhas, seu dom de acertar ou errar, sua oportunidade de crescer e melhorar.
Qual então o remédio para situações em que enfrentamos sofrimentos e dificuldades devido à teimosia, ao descaso ou à irreflexão alheia?
Plantar, regar, adubar, cuidar e aguardar. Plantar oportunidades de felicidade, regar nosso coração com a água da paciência, cuidar de nossas projeções mentais como se cuida de uma plantinha tenra a crescer, aguardar que o tempo cuide de tornar farta a colheita no futuro.
Não é isto que Jesus faz com cada um de nós há séculos e séculos?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Amar e libertar

É tão impossível amar sem libertar quanto seria impossível andar sem se levantar.
Libertar é permitir que flua, amar é fluir a si mesmo através da vida.
Quem ama deixa seguir, pode até orientar, mas deixa que vá, volte, siga, pare ou retorne.
Quem ama estimula, levanta o ânimo, mas também sabe deixar cair e conhecer as consequências do desânimo.
Libertar é condição para amar, porque, preso ou tolhido, o ser humano nem cresce nem aprende nem é feliz.
Amar é doar-se tanto a ponto de permitir acertos e erros, é torcer sem tolher.
Libertar é uma ciência, amar, uma arte.
Quem ama já libertou, mas quem libertou ainda está apenas apto para amar, pode vir a amar.
Muito do que as pessoas chamam de amor não passa, algumas vezes, de egoísmo e frequentemente os maiores desenganos em matéria de amor se fundamentaram em pura vaidade travestida de zelo.
Em todo caso, a humanidade nunca conheceu um modelo maior de amor que o Cristo, ele nos ama tanto que permite ao ser humano, religioso ou não, cometer os maiores desatinos em seu nome, pelo simples prazer de nos amar, permitindo-nos fluir, seguir, aprender, viver.