quarta-feira, 20 de julho de 2011

UMA OUTRA VAIDADE

A tempos que se fala da negatividade da vaidade na vida humana. Diz-se que um pouco de vaidade faz bem, deixa a pessoa mais cuidadosa consigo mesma, talvez isso nem possa ser chamado de vaidade, mas de amor próprio, o que é muito bom sem sombra de dúvidas. Mas dizem também que o excesso dessa vaidade torna a pessoa muito ligada às aparências físicas e pouco espiritualizada, o que seria muito danoso para as relações humanas e até para o crescimento interior da pessoa. É verdade.
Mas o que quero falar aqui hoje é de uma outra vaidade, aquela na qual a pessoa não se acha mais bonita, e sim mais sábia, inteligente ou iluminada do que as outras. Esta vaidade existe nos meios religiosos, na arte, na cultura e na ciência, sendo uma outra forma também muito maléfica de relacionamento pessoa-pessoa, pessoa-mundo e pessoa-divindade.
Se a primeira forma de vaidade, prende a pessoa ao espelho, a segundo a prende a seu próprio ego, tornando-a verdadeiramente egocêntrica e fora da realidade. E, na verdade, nenhum de nós está livre dela, sendo que talvez o melhor meio de se prevenir deste mal seja aqueles pequenos exercícios diários de um pouquinho de humildade regados a uma boa dose de desconfiômetro. Sem isto, seremos aqueles falsos religiosos que vivem a condenar os outros ao inferno (só os outros), os falsos sábios que vomitam conhecimentos em decomposição, ou aqueles ditadores que põe a tranquilidade da vida alheia em jogo.
E tudo isto tomados de uma louvável boa intenção.

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